A LusoExpedição Olympus 2007 é uma missão científica cujo objectivo principal é a recolha de organismos marinhos no Oceano Atlântico. Na edição anterior desta campanha, que procurou caracterizar os cumes do Ormonde e Gettysburg do Banco do Gorringe foi amplamente cumprido. Este ano, entre os dias 13 de Maio e 1 de Junho, as recolhas serão realizadas nos ilhéus das Formigas e no Banco de Dollabarat, no Arquipélago dos Açores, com a posibilidade de visitar ainda o Banco D. João de Castro caso as condições atmosféricas e o estado do mar o permitam.
Este projecto pretende testar diversas hipóteses relacionadas com a evolução e dispersão a longo prazo da fauna e flora marinhas do Atlântico Nordeste. Ttrabalho que será levado a cabo por uma equipa multidisciplinar que inclui biólogos especialistas em algas, vertebrados e invertebrados marinhos e físicos especialistas em oceanografia marinha. Prentende-se com este trabalho abordar os seguintes pontos:
- Qual a função destes montes submarinos no passado e no presente, nomeadamente no que se refere à sua utilização como pontos de passagem ou como refúgios intermédios na dispersão de longa distância?
- Estarão as populações marinhas ali existentes geneticamente isoladas das de Portugal continental, Madeira e Açores?
- Uma vez que ultimamente tem sido amplamente discutida a questão da extensão da plataforma continental Portuguesa que resultaria, na prática, num aumento efectivo do território marítimo Português, é essencial conhecer também os seus recursos biológicos e genéticos. Esta pesquisa poderá ser tão ou mais importante, do ponto de vista económico e da gestão de recursos vivos, do que a pesquisa de metais raros ou de depósitos de hidrocarbonetos nestas regiões oceânicas. Na verdade, acaba por ser um projecto complementar de um outro, também dirigido pelo responsável desta missão o Prof. Doutor Manuel Pinto de Abreu (http://www.emepc.gov.pt/equipa.htm).
Durante a LusoExpedição Olympus 2007 está previsto levar a cabo uma série de metodologias, que prevêem a continuação do trabalho realizado durante a edição do ano anterior, tais como:
- Recolhas de plâncton;
- Mergulho com escafandro autónomo;
- Utilização de diversas artes de pesca, que possibilitem:
- descrever as comunidades faunísticas e florísticas associadas a estes cumes submersos;
- seleccionar e recolher algumas espécies para construir uma colecção de referência de cada um dos locais amostrados;
- recolher amostras de tecido de grande parte dos organismos amostrados, com o objectivo de extrair e comparar o seu DNA com populações ou espécies próximas, de forma a estabelecer as suas relações biogeográficas;
- recolher dados quantitativos de organismos bentónicos e planctónicos para que no futuro se possam identificar alterações relacionadas com flutuações temporárias ou com tendências ecológicas relacionadas com alterações climáticas regionais;
- recolha de organismos com elevado potencial de aproveitamento ao nível da biomedicina ou da indústria (p.e. moluscos nudibrânquios ou esponjas marinhas).
Todo o material recolhido será triado in vivo, descrito e fotografado a bordo, havendo para esse efeito palestras diárias ao longo de cada dia de trabalho para que todos se possam inteirar da progressão das tarefas de cada equipa. Não obstante, o trabalho prosseguirá após o final desta missão, ao longo de todo o ano, nos laboratórios das Universidades supracitadas, pelo que as amostras serão distribuídas pelos investigadores que integram o projecto, de acordo com as suas áreas de especialização e actuais interesses de investigação. Será nesta altura que irão surgir resultados, quer do ponto de vista genético, ecológico, oceanográfico, geológico, biomédico ou indústrial.
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